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Empresas ecologicamente responsáveis lucram mais

27 de Janeiro de 2022

O segundo e último dia de palestras da 25ª edição do INSPIRAMAIS, salão de lançamentos de materiais para a indústria de calçados, móveis, confecção e bijuterias que aconteceu na FIERGS, em Porto Alegre/RS, nos dias 25 e 26 de janeiro, trouxe a eco-responsabilidade para o debate central. 

Na primeira palestra do dia, a consultora do Núcleo de Pesquisa e Design do INSPIRAMAIS, Júlia Webber, ressaltou a importância da sustentabilidade para a preservação ambiental e também para o desenvolvimento das empresas. Segundo ela, é papel dos agentes de moda aliar as necessidades, sonhos e desejos do consumidor à sustentabilidade, conectando as emoções à racionalidade. “Hoje, a empresa que investe em sustentabilidade, além da sua contribuição ambiental, traz credibilidade à marca por meio do compromisso com a natureza”, destacou. Ela citou também uma pesquisa realizada pelo The Business Research Company, que apontou que a indústria da moda é responsável por cerca de 10% das emissões de gases do efeito estufa, consome quase 80 bilhões de metros cúbicos de água por ano e recicla menos de 1% do que produz. “As pessoas estão cada vez mais conscientes quanto a essas questões”, disse, acrescentando que empresas que adotam iniciativas sustentáveis obtêm um lucro superior a 60%, aumentam 18% ROI - retorno sobre investimento -, conforme pesquisa do grupo Mckinsey. “Este é um momento de transformação e as empresas precisam compreender isso”, concluiu. 

Na sequência, o estilista e coordenador do Núcleo de Pesquisa e Design do INSPIRAMAIS, Walter Rodrigues, adiantou a pesquisa que será apresentada no próximo evento, já marcado para os dias 19 e 20 de julho, também na FIERGS. O tema Terra, segundo ele, remete à renovação do planeta neste pós pandemia da Covid-19. “Diante da pandemia enfrentada pelo mundo, o INSPIRAMAIS percebeu a importância de trazer o tema Terra para o próximo salão. A comunidade mundial deve fazer um esforço para cuidar do planeta e isso deve se dar de modo sistêmico”, alertou, ressaltando que cada vez mais é preciso olhar o planeta Terra como protagonista, cuidando uns dos outros e do lugar onde habitamos. Desta forma, Rodrigues adiantou que o principal tema da pesquisa será a biomimética (estudo dos eventos da natureza para criação de soluções). “Precisamos forjar processos e projetos da natureza em design e indústrias mais saudáveis, criando uma harmonia com a natureza por meio da produção de materiais menos impactantes”, disse. 

Adesivos sustentáveis
No início da tarde, Helga Wysocki, do departamento de vendas e mercado da Covestro, falou sobre as vantagens da utilização de adesivos base água na fabricação de calçados. Segundo ela, os materiais base água possuem um percentual de 85% de água e 15% de poliuretano, enquanto que os adesivos base solvente possuem um percentual de 50% de poliuretano. Além de causar menor impacto ambiental, o uso dos adesivos base água apresenta uma importante redução de custos para as empresas. “ Para cada quilo de adesivo base solvente utilizado, são necessários 370 gramas de adesivo base água, representando uma economia de 63%”, contou, ressaltando que outra vantagem competitiva é o fato de os adesivos base água não constarem nas listas de substâncias restritas, o que favorece, especialmente as exportações, além de facilitar o transporte, pois os produtos não são inflamáveis. 

Inovações
Apresentando inovações criativas de três empresas - Mush, Mabe Estúdio e Du Meio - que estavam expondo no espaço Hub Conexão Criativa, foi um convite à criatividade e também uma provocação para a criação de materiais com menor impacto ambiental, os biomateriais.
 
A Mush criou um biocomposto fúngico feito de palhas, cascas, bagaço e fungo que poderá ser utilizado em diferentes aplicações, além de ser um produto compostável e totalmente orgânico. Já a Mabe Estúdio, está desenvolvendo um biomaterial resíduo líquido extraído da vagem do Angico - árvore do bioma brasileiro -  para o tingimento de tecidos e bioplástico. Por fim, a Du Meio apresentou um biotecido de celulose bacteriana com aparência frágil, porém muito resistente, formado por um processo de fermentação. O produto, segundo os criadores, utiliza uma pequena quantidade de água na sua fabricação e é biodegradável, compostável e com alta resistência à tração. 

Couro
Rodrigues voltou ao palco para falar sobre o Preview do Couro para 2023. A palestra apresentou as tendências e inovações da indústria do couro, que hoje tem clientes nos mais variados segmentos, do automotivo ao calçado. Segundo ele, assim como os demais materiais, o couro deverá adotar processos cada vez mais sustentáveis, com curtimentos vegetais e chrome free.  Já no âmbito das texturas, foram destacadas aparências semelhantes ao micélio - material feito da trama de fungos, os aspectos mais envelhecidos e rústicos e estampas naturais. Os aspectos, dentro do contexto do metaverso,trazido pelo salão, terão aspectos brilhosos, metálicos e com tingimentos naturais.

A programação de palestras da 25ª edição do INSPIRAMAIS encerrou com um bate papo entre as startups Coleção.Moda, Rastro e SupplyLabs. 


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