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A moda em nome da vida na Amazônia!

10 de Junho de 2020

São Gabriel da Cachoeira. Fronteira da Colômbia e a Venezuela. Extremo noroeste do interior do estado da Amazônia. Onde parece que a mata e seus povos não são vistos se concentra um grupo étnico que preserva nossa ancestralidade, costumes e nossa cultura no âmago da essência.

Também conhecido como "Cabeça do Cachorro", por seu território ter forma semelhante à da cabeça do animal, no município de 45 mil habitantes 9 entre 10 pessoas são indígenas e a região agrega 23 etnias diferentes, com 19 línguas nativas.


É o maior povoado indígena do país e um dos únicos que tem reconhecido as línguas nativas dos povos da terra: o
tucano, o baníua e o nheengatu, esta última derivada do tupi antigo e já usada como língua franca na Amazônia durante décadas - línguas tradicionais faladas pela maioria dos habitantes do município, além do português.


ASSAI - Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira

É ali, na região do Pico da Neblina, que o grupo étnico se fortalece pela Assai -Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira. O processo de produção, incluindo o manejo da matéria-prima, compõe esse conhecimento expresso nas cores provenientes do tingimento natural e profunda ligação com a vida indígena, nos diferentes trançados feito com as fibras vegetais e nos desenhos que adornam ou dão forma aos objetos. Além da cestaria, a ASSAI produz biojoias e porta-joias (samburás) com as sementes da região que se unem tão bem com a fibra de tucum.



 No artesanato apresentado tudo se integra com a vida e ao planeta, como a prática de trançar cestos que é, para algumas etnias indígenas, como a Baniwa, um conhecimento central de sobrevivência no mundo. Com eles, as mulheres podem manipular a mandioca que constitui a base de sua alimentação. Outras peças do aetesanato também se integram. São artefatos presentes no cotidiano das comunidades, na pesca, caça, agricultura, nos rituais e nas danças. O Aturá, por exemplo, uma cesta muito comercializada por conta do seu trançado, é utilizada nas roças para a colheita da mandioca.







ArtSol: moda que resgata a vida dos povos nativos
Os trabalhos dos povos ancestrais estão incluídos no Projeto
ArteSol, uma organização sem fins lucrativos que atua há mais de 20 anos investindo na valorização e promoção do artesanato tradicional brasileiro, através de estratégias focadas na sustentabilidade socioeconômica, cultural e ambiental de comunidades. O principal propósito: apoiar a salvaguarda do fazer artesanal de tradição, mantendo vivo o patrimônio imaterial ligado à essa atividade e promovendo a autonomia dos artesãos e a geração de renda para seus núcleos produtivos.




Presentes no INSPIRAMAIS
A comunidade participou da edição de janeiro/2020 do Inspiramais – pelo projeto Conexão Criativa e Comercial. Ali foi apresentado um pouco mais de suas origens, forma de produção sustentável e toda a ligação da produção de peças com as raízes dos povos ancestrais.

Com a consultoria do Inspiramais e a visibilidade foi possível apresentar ao público visitante toda a arte transformada em moda e as suas mais diversas possibilidades de unir moda, sustentabilidade e resgate da cultura e raízes do Brasil.

Conheca a ASSAI e ArtSol
Para saber mais sobre os projetos que envolvem a Assai e a ArtSol entre em contato direto com eles. Além de conhecer mais do extraordinário trabalho, pode realizar pedidos, atrelar projetos com toda a comunidade, além de contribuir com todo o trabalho rico de preservação de nossa história.

https://www.artesol.org.br/quem-somos

 


Texto: Carlos Lopes

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